COTAR SEGURO ONLINE

O que faz o Comando de Válvulas?

O que faz o Comando de Válvulas?

18/02/2020

O funcionamento de um motor a combustão é uma sequência de ações sincronizadas. Fazendo uma analogia, é como uma orquestra. Se cada integrante não acompanhar as instruções do maestro e tocar seu instrumento na hora errada, fica tudo uma bagunça. No motor, os integrantes da orquestra são os seus componentes internos e um deles é o comando de válvulas.

Como o próprio nome diz, o comando de válvulas comanda a abertura e o fechamento das válvulas de admissão e escapamento. As de admissão são as responsáveis por permitir a entrada da mistura ar/combustível no cilindro (ou câmara de combustão). As de escapamento liberam os gases resultantes da explosão que acontece dentro do cilindro.

Comando de Válvulas simples ou duplo?

O comando de válvulas fica localizado na parte de cima do motor, o cabeçote, e pode ser simples ou duplo. 

  • O comando simples (SOHC, do inglês Single Overhead Camshaft ou comando de válvulas simples no cabeçote) comanda ao mesmo tempo as válvulas de admissão ou escapamento. É o mais usado em motores com duas válvulas por cilindro.
  •  O duplo (DOHC, Double Overhead Camshaft ou comando de válvulas duplo no cabeçote) tem um comando para abertura das válvulas de admissão e outro para as válvulas de escape. Equipa carros com duas ou mais válvulas por cilindro. O Fiat Tempra, produzido no Brasil entre 1991 e 1997, foi um dos poucos carros com motor DOHC e duas válvulas por cilindro.

Nos motores antigos, o comando de válvulas era instalado diretamente no bloco e acionava as válvulas por meio de varetas e balancins. A tecnologia era conhecida como OHV, ou Overhead Valves (válvulas no cabeçote).

Sincronia é tudo

O comando de válvulas é um eixo de ferro com liga de níquel ou aço e usinado com vários ressaltos excêntricos, chamados cames. Por isso é também conhecido como árvore de cames. São esses cames que empurram os tuchos para abrir ou fechar as válvulas dentro da câmara de combustão.

Por isso, a sincronia é tão importante. Quando o pistão sobe até seu ponto máximo superior (PMS), as válvulas precisam estar fechadas para não serem atingidas por ele. Para que este sincronismo aconteça, o comando de válvulas possui em uma de suas extremidades uma engrenagem. Ela é ligada ao virabrequim por meio de correia de borracha, corrente metálica ou engrenagens.

Quando um sobe, o outro desce

O virabrequim – também conhecido como árvore de manivelas – é uma peça giratória com várias articulações e fica localizado na parte de baixo do bloco do motor. Ele transforma o deslocamento do sobe e desce dos pistões em rotação. Este movimento é transferido ao câmbio e finalmente chega às rodas do veículo.

Os pistões ficam presos às articulações (ou manivelas) pelas bielas. As manivelas não ficam na mesma posição para que os pistões subam e desçam em tempos diferentes e consigam movimentar o virabrequim. Quanto mais cilindros tem o motor, mais manivelas tem o virabrequim. Nos motores de quatro cilindros, quando os pistões do primeiro e quarto cilindros estão no ponto máximo superior (PMS), os do segundo e terceiro estão no ponto máximo inferior (PMI).

Calma que a gente explica melhor

Tá meio complicado? Pois é, muita coisa precisa funcionar direitinho para o motor estar em sua total potência.

O quanto a válvula abre (levante), o período que ela fica aberta (duração) e o intervalo entre o levante máximo da admissão e do escape (lobe center) são os grandes responsáveis pelo comportamento do motor. E eles são definidos pelos formatos dos cames.

Cames maiores permitem que as válvulas de admissão fiquem mais tempo abertas, aumentando a quantidade de mistura ar/combustível admitida pelo motor e, consequentemente, o desempenho do carro. Antigamente eram conhecidos como “comandos bravos”. Já os cames menores privilegiam a economia de combustível.

Comando variável

Nos motores mais modernos, o comando de válvulas pode fazer variar o tempo de abertura ou fechamento das válvulas. O dispositivo que permite que isto aconteça é o variador de fase. A tecnologia pode antecipar a abertura e atrasar o fechamento das válvulas durante o funcionamento do motor. Popularmente é conhecido como comando de válvulas variável.

Essas tecnologias de variação melhoram o rendimento do motor em diferentes rotações e reduzem o consumo e os índices de emissões de poluentes.

Cuidado com a correia dentada

Para que esta orquestra toque em harmonia, você precisa tomar alguns cuidados. O primeiro – e principal – se refere à correia dentada. Como dito acima, ela é responsável por sincronizar o movimento do comando de válvulas e do virabrequim. É feita de borracha e instalada no lado de fora do motor.

Apesar de protegida por uma capa, fica exposta e pode receber todo o tipo de contaminação. Seu período de troca (por quilometragem ou tempo) é sempre informado no manual de proprietário. Varia entre 40.000 e 80.000 km e no máximo quatro anos.

Uma correia velha fica ressecada e pode se romper a qualquer momento. Quando isto ocorre, o motor sai de sincronia e normalmente os pistões atropelam as válvulas. Daí o prejuízo é grande. Só uma retífica completa do cabeçote e a troca de todas as válvulas resolvem.

Cuidados na hora da troca

Quando trocar a correia dentada, troque junto seus tensionadores e pergunte ao mecânico se ele tem uma ferramenta específica para travar o comando de válvulas na posição correta. Muitos mecânicos trocam “no olho”, fazendo apenas marcações nas engrenagens. Esta prática costuma não dar certo e o motor fica fora do ponto, perdendo desempenho e consumindo mais combustível.

Os motores com corrente de comando não precisam desta atenção, pois o componente fica dentro do motor e é lubrificado. Sua vida útil varia entre 200.000 e 400.000 quilômetros, dependendo do uso que o proprietário faz do carro.

Olho no óleo

Outro item muito importante para a saúde do motor é o óleo lubrificante e o seu filtro. Siga religiosamente as indicações, especificações e prazos de troca contidos no manual de proprietário. Lubrificantes e filtros fora de especificação ou muito degradados podem aumentar o desgaste dos componentes metálicos e ocasionar quebras. E o custo de reparação é alto.

 

+ Veja a importância na manutenção preventiva nos carros

 

 Última atualização em 18/02/2020